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Conferência de Natal: a ciência é uma festa!

A Conferência de Natal levou três cientistas ao palco

DCI-CIÊNCIAS

Enquanto Ana Catarina Monteiro usou os números para fazer um truque de magia que envolvia 600 pessoas, Rui Agostinho falou de colisões com asteroides e João Duarte questionou a existência de vida noutros planetas. Os três investigadores da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (Ciências ULisboa) foram os protagonistas da Conferência de Natal de 2025 que teve lugar na passada sexta-feira. Não faltou a participação musical da Vicentuna e um animado convívio natalício, mas bem antes disso, já Luís Carriço, diretor de Ciências ULisboa, tinha revelado um dos motivos do convite endereçado a 10 escolas secundárias que marcaram presença na Conferência.

“Queremos que vejam Ciências ULisboa com carinho e que venham cá ensinar e aprender coisas”, referiu Luís Carriço, numa aparição pública que também marca a reta do final do mandato que está a cumprir à frente de Ciências ULisboa.

Luís Carriço
Luís Carriço abriu a Conferência de Natal de 2025 - DCI Ciências

Coube a Ana Catarina Monteiro, professora convidada do Departamento de Ciências Matemáticas, abrir as “festividades” associadas a cada uma das três palestras de 15 minutos – sempre sem dispensar uma ajuda providencial do espírito científico. A jovem investigadora recordou que a matemática é hoje usada para assegurar a confidencialidade das comunicações com técnicas de criptografia, mas foi com um pequeno truque que envolvia simples operações aritméticas que acabou por surpreender a plateia.

Veja aqui as fotos desta tarde especial.

Depois de pedir a todos que usassem a calculadora do telemóvel, a investigadora haveria de garantir um dos momentos mais emocionantes do evento com a escolha de um número aleatório por parte de cada um dos presentes, e ainda uma sucessão de operações matemáticas. No final, o exercício ajudou a confirmar o potencial da matemática enquanto “arma secreta”, e permitiu que Ana Catarina adivinhasse o número que acabou por aparecer no ecrã de cada telemóvel.


Ana Catarina Monteiro revelou a a matemática como "uma arma secreta"

"Tinha dois objetivos definidos para esta palestra: o primeiro passava por dar dar a conhecer o trabalho que tenho feito; o segundo consistiu em desmistificar a matemática, apresentando-a de uma forma surpreendente que, possivelmente, a assistência não estava à espera", refere Ana Catarina Monteiro.   

Foi também com alguma aura de mistério que a Conferência de Natal encaminhou a atenção dos jovens estudantes para João C. Duarte, geólogo e professor do Departamento de Ciências da Terra e Energia, que questionou se a Terra seria mesmo o único planeta com vida. “Se houver alguma forma de vida noutro planeta, possivelmente, será alguém da geração daqueles alunos do ensino secundário que a vai descobrir”, refere o investigador que tem carreira reconhecida no estudo dos sismos e na área da tectónica, e que aproveitou a conferência para dar largas à geologia planetária. “Por vezes, tem-se uma ideia um pouco intimidante, mas é bom que estes estudantes tenham podido vir aqui para verem que as pessoas desta Faculdade também já foram como eles”, acrescenta João C. Duarte.


João C. Duarte abordou o tema da vida fora da Terra - DCI Ciências

Enquanto parte da comunidade científica tenta estudar a melhor forma de chegar a outros planetas, Rui Agostinho, professor jubilado do Departamento de Física e uma das referências nacionais na área da Astronomia, tem dado o contributo para o desenvolvimento de soluções que ajudam a precaver uma eventual colisão de asteroides com a Terra. Ainda que seja pouco animador, o cenário está longe de ser estatisticamente impossível, como se verificou em 1908 na Sibéria, ou em 2013, na cidade de Cheliabinsk, na Rússia.

Depois de revelar os potenciais efeitos de uma colisão de asteroide com a Terra, Rui Agostinho catapultou o imaginário dos 600 jovens para os asteroides Didymos e Dimorphos, que já registaram um primeiro embate da missão espacial DART, e deverão ser visitados no final de 2026 pela missão HERA, da Agência Espacial Europeia (ESA).


A Vicentuna animou o final da Conferência de Natal - DCI Ciências

 

Hoje, pouco ou nada pode impedir uma colisão de um asteroide de grandes proporções com a Terra – mas Rui Agostinho tratou de lembrar que há cientistas da ESA que têm vindo a trabalhar numa potencial solução através do projeto HERA, que tem como prioridade a recolha de dados descritivos dos resultados produzidos pela colisão gerada pela missão DART. O próprio Rui Agostinho passou a fazer parte dessa equipa da HERA, após convite de Paulo Gordo, investigador de Ciências ULisboa e líder da startup Synopsis Planet.


Rui Agostinho levou o imaginário dos jovem assistência para um longínquo par de asteroides - DCI Ciências

“Escolhi este tema para poder mostrar à audiência as várias coisas que podemos estudar a partir da nossa Faculdade”, responde Rui Agostinho. “Se olharmos para o desenvolvimento de um foguetão, vemos que são necessários conhecimentos de química (para os sistemas propulsores), mas também de eletrónica e de muitas outras áreas científicas”, acrescenta.

O esforço feito em torno da divulgação científica não demorou muito a produzir resultados. “Houve vários alunos que pediram para tirar foto comigo. E dois deles pediram mesmo autógrafo!”, refere Rui Agostinho. O Natal também tem ciência!

Hugo Séneca
hugoseneca@ciencias.ulisboa.pt